No dia 1º de julho de 1994, enquanto todos ainda choravam a morte do ídolo Ayrton Senna e a seleção corria atrás do tetra nos Estados Unidos, o Brasil correu aos bancos. Mas não para sacar dinheiro ou tentar salvar as economias da hiperinflação, que havia superado os 47% no mês anterior e se aproximou de 2.500% em 1993.

Naquela data entrava em cena a terceira e última parte de implantação de um ousado programa econômico para acabar com a inflação brasileira: o Plano Real. Objetivo ao qual haviam fracassado, nos oito anos anteriores, seis planos econômicos de estabilização: Cruzado 1 (fevereiro de 1986), Cruzado 2 (novembro de 1986), Bresser (junho de 1987), Verão (janeiro de 1989), Collor 1 (março de 1990) e Collor 2 (janeiro de 1991).

Depois de equilibrar as contas públicas, com redução de despesas e aumento das receitas, e criar a URV, para preservar o poder de compra da população e que serviu como ponte para a conversão da moeda, em 1º de julho entraram em circulação as cédulas do Real, trocadas na base de 2.750 Cruzeiros Reais (CR$) para cada 1 Real (R$).

Nas novas notas, ao invés de homenagens a heróis nacionais, como de costume, a natureza do Brasil é que foi destacada. Com cores distintas, as cédulas estampavam na frente a Efígie da República e nos versos imagens de animais: Beija-flor (R$ 1), Garça (R$ 5), Arara-vermelha (R$ 10), Onça-pintada (R$ 50) e Garoupa (R$ 100).



Como a troca do meio circulante precisou ser feita de maneira rápida e na totalidade, a Casa da Moeda não conseguiu produzir todas as novas cédulas. Por esse motivo, parte das notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 50 foram impressas em outros países, como a Alemanha, Inglaterra e França. Atualmente, essas cédulas fabricadas no exterior (identificadas pelo nome do impressor no verso, perpendicular à palavra REAL) são bastante procuradas por colecionadores, alcançado bons valores no mercado numismático.

Junto com as cédulas foram lançadas moedas de aço inoxidável nos valores 1, 5, 10, 25 e 50 centavos, e também de 1 Real.

As cédulas de R$ 2 (Tartaruga Marinha) e R$ 20 (Mico Leão Dourado) só entraram em circulação mais tarde, respectivamente em 2001 e 2002.

Antes do Real, o Brasil teve outras oito moedas: Réis, Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzeiro (novamente), Cruzado, Cruzado novo, Cruzeiro (pela terceira vez) e Cruzeiro Real.


Na época da implantação do Real, o salário mínimo era de R$ 64,79. E dois produtos se tornaram símbolos da nova moeda: o frango e o pãozinho francês, que podiam ser então comprados com uma cédula de R$ 1 o quilo e o pacote com 10 unidades, respectivamente.

O Real era então equiparado ao dólar, medida adotada pelo Governo para estabilizar a economia brasileira. Alguns meses depois chegou inclusive a valer mais do que a moeda americana. Em outubro bastavam 82 centavos de Real para comprar 1 dólar!

Recentemente, em 28 de setembro, entrou em circulação uma moeda comemorativa em homenagem aos 25 anos do Plano Real. No valor de R$ 1, a moeda traz de um lado a imagem do Beija-flor alimentando seus filhotes que estampou a extinta cédula do mesmo valor lançada em 1994.