O arquiteto paisagista Benedito Abbud é defensor dos espaços de convivência e de relaxamento ao ar livre. A seguir, ele ensina como criar ambientes externos em que é possível aproveitar o verão com todo o frescor

A chegada do calor traz em seu rastro o desejo de passar mais tempo sob a cúpula azulada do céu. De que outra forma é possível sentir a brisa morna, assistir ao cair da tarde, bem como apreciar o perfume das flores, a sombra das árvores e o canto dos pássaros?

Esse conjunto sensorial faz um bem danado ao corpo e à alma. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, mostrou que o simples contato com paisagens naturais aumenta a sensação de vitalidade. Vinte minutos de interação com esses cenários são suficientes para intensificar o bem-estar e o relaxamento. E, no verão, também para amenizar o calor.

Quem pode corre para o jardim de casa ou ruma para a praia ou para o campo. A alternativa para aqueles que não dispõem de uma área externa verdejante é procurar o sombreado dos parques e das praças. “Nessa época do ano, os jardins ganham mais uso e maior importância, já que as pessoas mudam sua rotina por causa das férias de verão”, afirma o arquiteto paisagista Benedito Abbud, de São Paulo.


Só que nem todos podem se afastar do escritório. Nesse caso, o jeito é mudar de ambiente e trabalhar no jardim, ou melhor, no garden office. Como? Ora, valendo-se da tecnologia. “Utilizando o celular e a tecnologia wi-fi, é possível trabalhar num ambiente muito mais calmo e agradável ou simplesmente praticar o ócio criativo”, sugere Abbud. Entretanto, certas precauções devem ser tomadas para que os raios solares não incidam diretamente sobre os aparelhos e sobre a pele. Lounges externos sob pergolados, bangalôs com cortinas, gazebos e futons à sombra de palmeiras são alguns recursos interessantes.



Foto: Divulgação

Oásis tropical

Preparar o jardim para a temporada quente que vem por aí pode ser um excelente passatempo. Para não errar na escolha da vegetação, aposte nas palmeiras, sempre afinadas com o nosso clima tropical. “Elas conferem verticalidade ao ambiente, não desprendem folhas com frequência e as partes secas, que ainda estão na copa, são facilmente visíveis e removíveis”, destaca Abbud.

Nesse grupo, há exemplares de tronco único (jerivás, caryota urens e coqueiros) que, quando plantados em conjunto, criam sombra e transparência sob a copa. Existem também as multicaules (arecas e caryota mitis), indicadas para formar barreiras e tapar paisagens desinteressantes, como a de muros. Há ainda as palmeiras arbustivas (raphis e cha- maedoreas), que se adaptam bem às sombras e são ótimas para a criação de “biombos” para cobrir muros baixos e até para a formação de maciços pouco elevados, que liberam o visual superior da paisagem. Arbustos de folhas grandes também são indicados – mesmo os floríferos, que dão cor e vida aos ambientes. Plantas tropicais, como helicônia, alpínia e ixora, não podem faltar, claro.

O encanto provocado por um jardim, contudo, não de- pende apenas da seleção das espécies, por mais belas que sejam. Alguns artifícios são fundamentais quando se quer, além de maravilhar, surpreender. “A surpresa é um elemento fundamental para realçar a beleza de um jardim. A dica é mesclar espaços estreitos, sombreados e menos iluminados com ambientes amplos e claros, causando diferentes impressões durante as caminhadas pela área”, ressalta Abbud.

Na visão do profissional, a estética é importante, mas não se basta. É por isso que a forma como os moradores e visitantes interagem com os espaços norteia seu trabalho paisagístico. “Antes de pensar nas plantas, é preciso refletir sobre o uso destinado ao local. O jardim tem que ser, acima de tudo, útil. As pessoas precisam curtir aquele espaço, que deve ser harmônico e aconchegante, como também voltado para a confraternização da família e dos amigos”, opina.


Foto: Divulgação


Espaços compactos


Não importa se o proprietário só dispõe de um pequeno quintal nos fundos da casa ou de uma modesta varanda no apartamento. Com criatividade, é possível criar cantos acolhedores e refrescantes nesses pontos das residências. “Quintais são raridade hoje em dia, por isso devem ser cuidados com todo o carinho. Já as varandas são espaços informais marcados pela transição entre o interior e o exterior”, define o profissional.

Para o primeiro caso, ele sugere a criação de um recanto voltado para o relaxamento. De saída, os muros devem ser recobertos com trepadeiras, como a unha-de-gato, que se fixa naturalmente sobre a superfície, mas demanda podas regulares. “Quando tem função de revestimento, a vegetação dá a sensação de que o ambiente é maior e mais bonito”, diz Abbud. Pergolados forrados com parreiras ou com a planta do maracujá produzem sombra e ainda trazem aromas especiais. “Em locais quentes como Ribeirão Preto, vale instalar um chuveirão se o espaço não comportar uma banheira do tipo spa”, sugere ele. Churrasqueira, equipamento de ginástica e horta com ervas frescas também são boas pedidas.

Já a varanda, segundo o paisagista, transformou-se, nos últimos anos, no ponto de encontro da família. É ali que pais e filhos se sentam para conversar de forma descontraída ou para tomar café da manhã, ler o jornal ou manusear o note-book. Os projetos direcionados para esse trecho dos apartamentos precisam, de antemão, solucionar um problema muito comum: a vista do entorno, nem sempre agradável. “Em geral, o que se vê são uma série de telhados ou partes dos edifícios vizinhos, que acabam comprometendo a priva- cidade dos moradores”, observa ele.


Dessa constatação advém a estratégia de mascarar, com a ajuda das plantas, o que não apetece aos olhos e, em contrapartida, valorizar o que merece ser apreciado. “Sugiro a colocação de floreiras retangulares no peitoril da sacada, nas quais devem ser plantadas espécies baixas de até 50 cm de altura. Assim, quando a pessoa estiver sentada, não enxergará o que está por trás desse anteparo natural”, diz o paisagista. Camélias, gardênias, azaleias e ráfias, todas do- tadas de folhas resistentes à ação do vento, compõem bons “escudos” verdes quando o objetivo é resguardar ainda mais o espaço.


Foto: Pinterest


O mobiliário é introduzido após a distribuição das plantas, de preferência favorecendo a criação de ambientes com funções bem definidas: living e mesa de refeições. “Na impossibilidade de construir uma churrasqueira, o grill elétrico é uma alternativa prática para que a varanda se torne um reduto gastronômico”, aponta.

Tanto no quintal como na varanda, ainda é possível criar um pomar em vasos, ótima artimanha para atrair pássaros, perfumar as cercanias e ainda abastecer a família com frutas fresquinhas. “Isso só é possível se o porte final da árvore for pequeno”, enfatiza o profissional. Limoeiro, pitangueira, jabuticabeira e laranjeira são as espécies mais adequadas para essa finalidade.

A boa notícia é que, numa cidade de temperaturas elevadas como Ribeirão Preto, fica fácil manter o jardim viçoso. “Plantas adoram o clima quente. Esta é uma regra geral”, endossa o paisagista. Entretanto, picos de calor demandam reforços na irrigação. “Se a terra estiver seca, está na hora de regá-la, o que deve acontecer de manhã bem cedo ou no começo da noite. Nunca nos períodos de sol, pois o excesso de calor somado à água superaquece as plantas, que acabam sendo ‘cozidas’”, alerta ele. O ideal é que haja, pelo menos, um acompanhamento mensal e irrigação automática, que já apresenta tecnologia e custos acessíveis.

Texto: Raphaela de Campos Mello


Acompanhe todas as novidades da Copema em nossas redes sociais:

- Facebook: https://www.facebook.com/copema

- Instagram: https://www.instagram.com/copema_/

- Youtube: https://goo.gl/3K8wJf